O tema foi debatido durante uma “Roda de Conversa” em evento realizado por acadêmicos de Jornalismo no auditório do Cremero

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Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e também de profissionais quanto à relevância da temática foi que acadêmicos de Jornalismo da faculdade Uniron realizaram na noite desta terça-feira (20) a 3ª edição do projeto “ComunicArte” que em suma, realiza debates e reflexões sobre temas de interesse público. Nesta edição, o projeto trouxe para discussão a questão do suicídio, assunto polêmico e ainda pouco discutido, segundo os organizadores.

Durante o credenciamento, todos os participantes receberam a cartilha “Suicídio – Informando para Prevenir” elaborada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e também uma fita amarela, em alusão ao “Setembro Amarelo”, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

O evento foi aberto com o pronunciamento do idealizador e coordenador do projeto, professor Emanuel Jadir e também da coordenadora do curso de Jornalismo da faculdade, Andreia Gonzalez. “O projeto nasceu em 2015 e desde lá trazemos à tona assuntos polêmicos e pouco discutidos. Isso fomenta o senso crítico do cidadão e o coloca para pensar de uma forma diferente, fora da caixa” ressaltou Emanuel.

Em sua oportunidade, a coordenadora do curso lembrou da dificuldade de se falar sobre o problema dentro das redações. “Sabemos que não podemos divulgar o suicídio em si, mas nós como profissionais devemos contribuir com a sociedade chamando a atenção para o tema” ressaltou Andreia.

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Quem também deu as boas vindas aos profissionais de comunicação e acadêmicos foi o presidente do Cremero, Dr. Andrei Leonardo Freitas de Oliveira, ao falar sobre o papel do CRM. “Nossa missão é defender a sociedade e desta forma, estaremos sempre de portas abertas para projetos como este” citou.

Durante a programação os convidados também puderam assistir a um vídeo assim como de atividades artísticas como declamação de crônica e apresentações musicais.

Integrou a Roda de Conversa a professora universitária e coordenadora do Núcleo de Educação da Uniron, Elza Jacarandá, o professor universitário e delegado de polícia civil da Delegacia de Crimes Contra a Vida, Sandro Luiz Alves de Moura, o estudante de jornalismo David Rodrigues, assim como o professor Emanuel Jadir, que realizou a medicação.

Dados sobre a temática

O vídeo apresentado durante a programação revelou dados assustadores. Todos os anos são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo, algo próximo de um suicídio a cada 40 segundos e uma tentativa a cada três. “Isso já é um problema grave de saúde pública. Falar sobre suicídio é uma das poucas formas de preveni-lo” defende o presidente do Cremero.

A cartilha elaborada por sugestão da Comissão de Ações Sociais (CAS) do CFM revela que apenas uma pequena proporção do comportamento suicida chega ao conhecimento público. Segundo a mesma cartilha, 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida.

Esses dados revelam a ideação suicida, que envolve pensar, cogitar ou planejar o suicídio. Ela é muito mais comum do que o suicídio de fato. Sabe-se que embora exista uma ligação entre as duas coisas, a maior parte das pessoas que exibem ideação suicida não realiza suicídio, o que deixa claro então, que existem muitos outros fatores em jogo.

O suicídio é muito mais comum de ocorrer em países ricos do que em países pobres, entre homens do que entre as mulheres e entre os mais idosos do que os mais jovens. Ainda assim, é um dado relativo. Para se ter ideia, ele é a principal causa de morte no mundo entre mulheres de 15 a 19 anos. Cerca de 90% das pessoas que tiraram a própria vida possuíam transtornos mentais, mas 98% das pessoas que possuem algum transtorno mental não morrem em decorrência de suicídio.

Esses dados revelados durante a Roda de Conversa evidenciaram que essa é uma relação bem mais complicada do que pode parecer. O transtorno depressivo maior, o transtorno bipolar e o transtorno do stress pós-traumático são alguns dos transtornos que mais se relacionam com o suicídio. “Sabemos através de relatos de pessoas que conviveram com suicidas que em algum momento, aquela pessoa falou ou deu sinais sobre suas ideias de morte. O problema é que na maioria das vezes, as pessoas não levam isso a sério” destacou o coordenador do projeto.

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios. Em 2012 foram registrados 11.821 mortes, cerca de 30 por dia, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Entre 2000 e 2012 houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo observado um aumento de mais de 30% em jovens.

O suicídio em jovens aumentou em todo o mundo nas últimas décadas e também no Brasil, representando a terceira principal causa de morte nessa faixa etária. Os comportamentos suicidas entre jovens e adolescentes envolvem motivações complexas, incluindo humor depressivo, abuso de substâncias, problemas emocionais, familiares e sociais, história familiar de transtorno psiquiátrico, rejeição familiar, negligência, além de abuso físico e sexual na infância.

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