No Brasil, no momento, há 572.151 registros de médicos em atividade. Em termos absolutos, o Brasil hoje concentra cerca de 20% de todos os médicos do continente americano e 5% de todos os profissionais da medicina do mundo inteiro.

Em pouco tempo, este número deve mudar, pois a população médica brasileira continua a crescer de maneira acelerada. Entre 1970 e os anos 2010, essa taxa foi cinco vezes superior à da população em geral.

Com a abertura de centenas de escolas nos últimos anos, parte significativa delas sem condições mínimas para oferecer uma boa formação, essa velocidade deve aumentar ainda mais, fazendo com que em poucos anos o Brasil ultrapasse a casa dos 1,5 milhão de médicos.

Nesta semana em que comemoramos o 18 de outubro, data dedicada aos médicos, encontramos espaço oportuno para convidar todos a uma reflexão sobre a saúde e a medicina no Brasil.

Para tanto, vamos chamar a atenção para alguns tópicos que influenciam diretamente a qualidade do exercício da medicina no Brasil e que, por extensão, afetam também a qualidade da assistência.

O primeiro deles é a necessidade de criação de uma carreira de estado para o médico, assim como existem semelhantes para cargos da magistratura e do Ministério Público. Entenda-se: esta proposta não se reveste de viés corporativista. Muito pelo contrário, ela é o caminho mais lógico para cobrir lacunas deixadas pelo próprio Estado.

Onde não há médicos, nem enfermeiros, não há dentistas, não há engenheiros, nem advogados ou arquitetos. São zonas onde o mercado não é forte o suficiente para que estes e outros profissionais liberais possam exercer suas atividades.

Sem estas condições, estes profissionais – inclusive os médicos — optam por estar em locais onde conseguirão trabalho e renda. Assim, cabe ao estado vir em socorro destas áreas que têm sido historicamente relegadas e subsidiar a presença de médicos e de outros profissionais oferecendo-lhes condições para que migrem, se instalem e se fixem.

Falamos de uma remuneração compatível com a qualificação, responsabilidade e dedicação exigidos; de um plano de progressão funcional que possibilite vislumbrar novas etapas de carreira; e de um processo de formação continuada, que garanta ao interessado estar em dia com os avanços da ciência e da própria medicina.

Além disso, o Estado fica obrigado a manter uma infraestrutura adequada para que o médico dentro dessa carreira possa fazer o que se espera dele no atendimento da população. Isso implica em dar a este profissional o suporte de leitos de internação, equipamentos e exames; o apoio de equipes multiprofissionais; e a possibilidade de contar com uma rede de referência para encaminhar casos mais graves.

O segundo ponto de nossa reflexão é a importância de o País entender a saúde brasileira como prioridade. Ao longo do tempo, os médicos – mesmo os que atuam nas grandes cidades – têm sido confrontados com dificuldades diárias enormes para acolher, diagnosticar e tratar os pacientes.

Os postos de saúde estão sucateados. Em muitos deles lavar as mãos exige criatividade de quem os frequenta, pois faltam pias, sabão e papel toalha. Em outros tantos, há carência de equipamentos médicos básicos, como estetoscópios e termômetros.

Mas as limitações não param por aí para quem faz medicina no Brasil. Os equipamentos disponíveis para realização de exames e os leitos de internação são insuficientes para atender a demanda crescente, o que faz as filas de espera por procedimentos eletivos crescerem sem parar.

Enfim, é este o cenário que se forma e que a vontade política poderia resolver. Para tanto, o Estado deveria assegurar aos médicos e a todos os brasileiros a realização de investimentos consistentes e crescentes na rede pública, assim como a modernização de sua gestão, sempre com os adequados mecanismos de controle e fiscalização.

Como sublinhamos, exercer a medicina no nosso País não é fácil. Além das limitações em termos de infraestrutura para exercer nosso nobre ofício, muitas vezes os médicos não contam com o reconhecimento e a valorização dos gestores públicos e privados.

No entanto, apesar de todas essas adversidades, os médicos do Brasil não abandonam seu juramento e se mantêm firmes em seu propósito de atuar na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças.

Diante do que foi abordado, nada mais justo do que, neste 18 de outubro, agradecer a esses 572.151 homens e mulheres, graduados em medicina (3,4 mil deles atuando em Rondônia), que se desdobram para atender às necessidades da nossa população.

Parabéns a todas as médicas e médicos desse país por sua jornada dedicada à medicina, e que, como a vida, seguem em frente mesmo em meio às mais difíceis e imprevisíveis adversidades. Saúde Brasil!

 

José Hiran Gallo
Diretor tesoureiro do CFM
Doutor e pós-doutor em Bioética

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