Em tempos de pandemia de covid-19, ser pai ou mãe exige ainda mais de quem tem a responsabilidade de cuidar de uma família. Há a preocupação com a própria saúde, para poder continuar exercendo seu papel. Também se convive com a tensão causada pela crise econômica que chegou com o coronavírus, reduzindo o poder de compra e aumentando as chances do desemprego.

 

Como se não bastassem esses desafios, paira sob as cabeças de pais e mães o dever de estender proteção aos filhos. Recentemente, o cumprimento dessa missão colocou em debate o papel das vacinas como ferramenta de prevenção de doenças. Diante disso, ao monitorar as redes sociais, impressiona o volume de donos da verdade de um lado e do outro. O mais interessante é que argumentos não faltam.

 

Não nos cabe avaliar as certezas e incertezas alardeadas, mas, oferecer apoio a quem se encontra perdido em meio a esse fogo cruzado. Penso nas famílias brasileiras, especialmente as que têm crianças de cinco a 11 anos, a faixa etária que passou a ser beneficiada pelo acesso à vacina contra a covid-19. Assim, a esses pais e mães, vale ressaltar alguns aspectos que lhes podem ser úteis.

 

O primeiro deles é justamente esse: estamos falando de uma decisão. Tomar ou oferecer a vacina é uma escolha, ou seja, não é uma obrigação. Trata-se de uma política pública que conta com apoio científico e institucional, mas a decisão final de aplicar o imunizante na criança, ou não, repousa nas mãos do pai ou da mãe.

 

Para tanto, como responsáveis por esse encaminhamento, a eles deve ser oferecido pelo Governo e pelos profissionais da saúde acesso a todos os esclarecimentos que os deixem confortáveis com o tema. Vinculações políticas, partidárias ou ideológicas devem ficar longe dos postos de saúde: neles cabe a verdade trazida pela ciência, com os alertas sobre benefícios e riscos relativos ao tema.

 

Portanto, para garantir a pleno esclarecimento sobre as implicações decorrentes da vacinação dessa parcela da população infantil, essas informações devem ser apresentadas de forma clara, objetiva, didática e exaustiva a quem solicitar. O conhecimento de todos os fatos é um direito dos pais que deve ser respeitado.

 

Outro ponto que é pertinente lembrar às famílias se relaciona à forma de acesso à vacina. Caso o pai ou a mãe optem pela imunização de seus filhos, deles não pode ser cobrada a apresentada de prescrição ou qualquer outro documento médico. Assim, se no seu município esta exigência tem sido feita saiba que você está diante de um abuso, uma irregularidade.

 

Destaco ainda aos pais que a vacinação contra a covid-19 não transforma a caderneta da criança num passaporte de acesso à escola ou outros espaços de convivência, públicos ou privados. Lembrem-se: o uso do imunizante é uma escolha pessoal. Como tal, não pode ser a adesão não pode ser cobrada e nem utilizada como forma de restringir a entrada de alunos ou de constrange-los.

 

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) já avisou que a vacina não será um condicionante para a volta dos estudantes às aulas presenciais. Espera-se que este exemplo seja seguido pelos donos dos estabelecimentos e pelos gestores das escolas vinculadas a Estados e Municípios. Afinal, as famílias que entendem que a vacinação não precisa ser feita devem ser respeitadas.

 

Pai e mãe, busquem informação e tomem a decisão de oferecer, ou não, vacina aos seus filhos conscientes das repercussões dela em sua vida e na daqueles que você tanto ama. Da mesma forma, lutem pelos seus direitos na hora de ter acesso à vacina ou de combater o estigma por ainda duvidar de sua eficácia ou segurança. Em todos os momentos, mantenham a mente aberta e atenta para que a sabedoria os orientem em sua missão de vida.

 

José Hiran Gallo

Diretor-Tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM)

Doutor e pós-doutor em Bioética

 

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