Rede dos Conselhos de Medicina
Governo tenta relativizar importância da saúde da população, denunciam entidades médicas


Governo tenta relativizar importância da saúde da população, denunciam entidades médicas

     Em nota divulgada nesta quarta-feira, dia 7 de março, representantes dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) – reunidos em Brasília – reiteram sua posição contrária à proposta do Governo de ampliar o número de vagas e cursos para formação de médicos no país. A nota rebate afirmações do ministro da Educação Aloizio Mercadante.

     Segundo os conselhos de medicina, a abertura de vagas e de cursos de medicina e a possível atuação de médicos estrangeiros sem revalidação de diplomas no país são falácias que tentam desviar a sociedade das medidas que, efetivamente, podem colaborar para o fim da desigualdade na assistência em saúde.

     Para as entidades, o problema não está no número de médicos, mas em sua má distribuição: “Para combater esse dilema, espera-se a implementação de políticas públicas – como a carreira de estado para o médico - que estimulem a fixação dos profissionais nestas regiões, oferecendo-lhes condições de trabalho, apoio de equipe multiprofissional, acesso à educação continuada, perspectiva de progressão funcional e remuneração adequada à responsabilidade e à dedicação exigidas”.

     Números – O Brasil conta com 372 mil médicos e 185 escolas de medicina em atividade. Entre 188 nações, apenas China, EUA, Índia e Rússia nos superam em números absolutos destes profissionais. De 1970 até 2011, o aumento do número de médicos foi de 530%; enquanto a população cresceu 104%.

     Entre 188 nações, o Brasil é o quinto país do mundo em número absoluto de médicos – perde apenas para China, EUA, Índia e Rússia – sendo que no continente americano 20% destes profissionais em atividade estão aqui.

     Em termos proporcionais, os dados mais recentes apontam uma razão de 1,95 médico por 1.000 habitantes no país. Contudo mesmo a média nacional, não é baixa, quando comparado a padrões internacionais: o Japão tem 2,06 médicos por mil habitantes, por exemplo.

No entanto, internamente, essa média não é uniforme: no Sudeste, o índice é de 2,6; e no Norte, fica em 0,8. Ou seja, a desigualdade resulta diretamente da falta de estimulo para que médicos e outros profissionais de saúde deixam os centros mais desenvolvidos e se fixem em áreas distantes.

Veja, na íntegra, nota divulgada pelos Conselhos de Medicina:

NOTA DE ESCLARECIMENTO Á SOCIEDADE

Posição dos Conselhos de Medicina sobre a abertura de novas escolas médicas

     Sobre a intenção do Governo de ampliar o número de vagas e de cursos para formação de médicos no país, os representantes dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) – reunidos em Brasília – reiteram sua posição contrária à proposta e ressaltam o equivoco da solução anunciada.

     A abertura de vagas e de cursos de medicina e a possível atuação de médicos estrangeiros sem revalidação de diplomas no país são falácias que tentam desviar a sociedade das medidas que, efetivamente, podem colaborar para o fim da desigualdade na assistência em saúde.

     O Brasil conta com 372 mil médicos e 185 escolas de medicina em atividade. Entre 188 nações, apenas China, EUA, Índia e Rússia nos superam em números absolutos destes profissionais. De 1970 até 2011, o aumento do número de médicos foi de 530%; enquanto a população cresceu 104%.

     No país, o problema não está no número de médicos, mas em sua má distribuição, o que dificulta o acesso ao atendimento e gera vazios assistenciais, inclusive nas periferias dos centros urbanos.

     Para combater esse dilema, espera-se a implementação de políticas públicas – como a carreira de estado para o médico - que estimulem a fixação dos profissionais nestas regiões, oferecendo-lhes condições de trabalho, apoio de equipe multiprofissional, acesso à educação continuada, perspectiva de progressão funcional e remuneração adequada à responsabilidade e à dedicação exigidas.

     Sem essas medidas, o Brasil não terá as respostas que precisa e, pior, corre-se o sério risco  de comprometer a qualidade do exercício da Medicina no país, com a formação de médicos em escolas comprovadamente sem condições de funcionamento, conforme relatório do próprio Ministério da Educação.

     Os Conselhos de Medicina estão dispostos a colaborar com este debate e esperam que as autoridades assumam sua responsabilidade, evitando iniciativas de caráter populista e adotando caminhos que tragam ganhos efetivos para a sociedade.

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