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Médicos temem falta de segurança nas unidades de saúde de Porto Velho

Não é incomum a agressão a funcionários e médicos que atendem nas unidades de saúde em Porto Velho. As queixas estão cada vez mais recorrentes e a entidade já não se sente segura em realizar os atendimentos. Mais uma agressão foi registrada na Unidade de Pronto Atendimento da zona Sul da capital. Desta vez contra uma funcionária que realizava triagem na unidade. Uma paciente que aguardava atendimento se irritou e partiu para cima da técnica. Segundo relatos da equipe médica, a vítima sofreu arranhões no tórax. A agressora teria se irritado por conta da demora no atendimento. O fato aconteceu nesta última segunda-feira (19). A funcionária registrou boletim de ocorrência.

De acordo com o Dr. Ricardo Santana Tripolini, as agressões verbais e físicas são cada vez mais comuns. O médico que também atende na UPA da zona Sul relata que não se sente mais seguro. “Essa situação está cada vez mais insustentável. Nossa classe está descontente porque as ameaças são quase que diárias. Quando o paciente chega à unidade ele tem que entender que existe uma classificação de risco. Os casos mais urgentes são, desta forma, atendidos primeiro” desabafou.

O médico relatou ainda que essa situação tem piorado de umas semanas para cá. Além de terem que conviver com as agressões, os profissionais ainda têm que lidar com a falta de equipamentos básicos. O sistema não é informatizado, o que faz com que eles tenham que sair de suas salas para buscar as fichas dos pacientes que são preenchidas manualmente. Outro problema relatado foi a falta de lâmpadas no primeiro piso da unidade. “O segurança que fica na unidade é patrimonial. Temos que buscar alternativas para resolver isso antes que algo pior aconteça” finalizou.

O fato não é isolado

Uma outra agressão foi registrada no mesmo dia na policlínica Dra. Ana Adelaide. A médica Dra. Gabriela Luiza, que também atende no local informou que uma enfermeira foi ameaçada. “Eu já passei por isso e sei o quanto é desmotivador trabalhar nessas condições. Não estamos seguros” disse.

O caso também foi confirmado pelo Dr. Adauto Marques. Ele explicou que diante desta situação a polícia foi acionada. Segundo o médico, o policial ao chegar no local falou ao agressor, que também teria se irritado por conta da classificação de risco, que ele teria que pegar o nome da equipe médica e denunciar o caso ao Ministério Público, já que estava insatisfeito. “A situação está fora de controle. Já vi muitos colegas de trabalho reclamando do mesmo problema” contou.

No começo de dezembro uma médica de Porto Velho recebeu voz de prisão enquanto realizava atendimento na UPA da Zona Sul. Ela foi acusada por desacato enquanto explicava ao policial militar que a criança que foi atendida durante a ocorrência policial, teria que aguardar mais um pouco, pois estava a realizar atendimento a um paciente com situação mais grave. O caso ganhou notoriedade na imprensa local. Em julgamento, o juiz afastou qualquer hipótese de omissão e desacato e determinou o arquivamento dos autos.

“O gestor não pode mais fazer de conta que não é responsável pela segurança dos pacientes e profissionais que trabalham nas unidades de emergência de Porto Velho. Passou da hora de haver policiamento dentro dos prontos-socorros, considerando que há também a necessidade de registrar ocorrências dos atos de violência que para lá são levados. Chegará o momento em que profissionais não mais se sujeitarão a trabalhar naquelas péssimas condições e a população ficará ainda mais desassistida” finaliza o presidente do Conselho, Dr. Cleiton Bach.

 
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